Teses de Doutorado em Ensino de Física, em ordem cronológica
51 Francisco Augusto Ferreira Almeida
Metodologias ativas no ensino de Física e a perspectiva humanista de Paulo Freire : aproximações e distanciamentos
12/12/2025
Orientação: Dr. Dioni Paulo Pastorio
Banca examinadora: Dr. Muryel Pyetro Vidmar (UFSM/RS), Dra. Suiane Ewerling da Rosa (UFOB/BA), Dr. Caetano Castro Roso (IF/UFRGS), Dr. Alexander Montero Cunha (PPGEnFís - UFRGS/RS), Dr. Dioni Paulo Pastorio (PPGEnFís - UFRGS/RS), Presidente.
Metodologias ativas no ensino de Física e a perspectiva humanista de Paulo Freire : aproximações e distanciamentos
12/12/2025
Orientação: Dr. Dioni Paulo Pastorio
Banca examinadora: Dr. Muryel Pyetro Vidmar (UFSM/RS), Dra. Suiane Ewerling da Rosa (UFOB/BA), Dr. Caetano Castro Roso (IF/UFRGS), Dr. Alexander Montero Cunha (PPGEnFís - UFRGS/RS), Dr. Dioni Paulo Pastorio (PPGEnFís - UFRGS/RS), Presidente.
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resumo RESUMO O Ensino de Física no Brasil tem sido tradicionalmente pautado em práticas expositivas, nas quais o professor atua como único agente ativo, enquanto os alunos assumem uma posição predominantemente receptiva. Paulo Freire criticou esse tipo de abordagem, denominando-a de Educação Bancária. Em contraponto, as Metodologias Ativas se apresentam como estratégias pedagógicas que buscam romper com essa lógica, colocando o estudante no centro do processo de ensino-aprendizagem. Este trabalho analisa as possíveis articulações entre as Metodologias Ativas aplicadas ao Ensino de Física na Educação Básica e a Perspectiva Humanista de Paulo Freire. A pesquisa, de natureza qualitativa e com abordagem bibliográfica e documental, fundamenta-se na leitura crítica da obra de Paulo Freire, na análise de produções acadêmicas (artigos científicos, dissertações e teses), na aplicação de questionários e na realização de entrevistas com docentes da área. Inicialmente, foi traçado um panorama histórico do Ensino de Física no Brasil, com destaque para aspectos da legislação educacional e dos pressupostos teóricos das Metodologias Ativas. Em seguida, foram sintetizados os fundamentos centrais da perspectiva freireana. Com base nesse corpus, foram desenvolvidas categorias de análise emergentes da obra de Freire, aplicadas às metodologias ativas identificadas em uma Revisão Sistemática de Literatura, com o intuito de examinar suas aproximações e distanciamentos teórico-práticos. Ademais, investigou-se em que medida tais metodologias estão presentes nas práticas pedagógicas da Educação Básica, bem como a percepção de professores de Física sobre a relação entre as Metodologias Ativas e a proposta humanista freireana. Os resultados indicam que, embora essas metodologias promovam maior protagonismo discente, existem barreiras importantes a serem superadas para a conquista de um melhor alinhamento com a pedagogia libertadora de Paulo Freire. Palavras-chave: Metodologias Ativas. Paulo Freire. Ensino de Física. ABSTRACT Physics education in Brazil has traditionally relied on lecture-based practices, where the teacher acts as the sole active agent and students assume a predominantly passive role. Paulo Freire criticized this approach, referring to it as "Banking Education." In contrast, Active Methodologies emerge as pedagogical strategies aimed at breaking this paradigm by placing students at the center of the teaching-learning process. This study explores the possible connections between Active Methodologies applied to Physics teaching in Basic Education and Paulo Freire’s Humanist Perspective. The research adopts a qualitative approach, grounded in bibliographic and documentary analysis, including a critical reading of Freire’s work, examination of academic productions (scientific articles, dissertations, and theses), and the application of questionnaires and interviews with Physics educators. Initially, a historical overview of Physics education in Brazil is presented, highlighting educational legislation and the theoretical foundations of Active Methodologies. Subsequently, the core principles of Freirean pedagogy are synthesized. Based on this corpus, analytical categories derived from Freire’s work are developed and applied to active methodologies identified through a Systematic Literature Review, aiming to assess their theoretical and practical convergences and divergences. Furthermore, the study investigates the extent to which these methodologies are present in Basic Education practices and examines Physics teachers’ perceptions regarding the relationship between Active Methodologies and Freire’s humanist proposal. The findings suggest that, although these methodologies foster greater student protagonism, significant barriers remain to achieving closer alignment with Paulo Freire’s liberating pedagogy. Keywords: Active Methodologies. Paulo Freire. Physics Teaching. Será transmitido em: https://mconf.ufrgs.br/webconf/ppgenfis. |
50 Kaleb Ribeiro Alho
Interculturalidade no Ensino de Ciências Físicas: desafios e potencialidades da Astronomia Cultural em escolas ribeirinhas Amazônicas
21/11/2025
Orientação: Dr. Alan Alves Brito
Banca examinadora: Dra. Arianna Cortesi (UFRJ/RJ), Dra. Claudia Mignone (INAF - Roma/Itália), Dra. Cicera Nunes (URCA/CE), Dr. André Ary Leonel (UFSC/SC), Dr. Alexander Montero Cunha (PPGEnFís - UFRGS/RS), Dr. Alan Alves Brito (PPGEnFís - UFRGS/RS), Presidente.
Interculturalidade no Ensino de Ciências Físicas: desafios e potencialidades da Astronomia Cultural em escolas ribeirinhas Amazônicas
21/11/2025
Orientação: Dr. Alan Alves Brito
Banca examinadora: Dra. Arianna Cortesi (UFRJ/RJ), Dra. Claudia Mignone (INAF - Roma/Itália), Dra. Cicera Nunes (URCA/CE), Dr. André Ary Leonel (UFSC/SC), Dr. Alexander Montero Cunha (PPGEnFís - UFRGS/RS), Dr. Alan Alves Brito (PPGEnFís - UFRGS/RS), Presidente.
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resumo RESUMO A Astronomia Cultural ou Astronomia nas Culturas é uma das áreas mais fascinantes da Astronomia, que tem sido acionada para investigar a diversidade deformas que diferentes povos percebem suas (inter)relações com a terra e o céu. No Brasil, trata-se ainda do ponto de vista educacional, de uma área pouco explorada, tanto no âmbito do ensino e da divulgação das ciências físicas quanto da educação para comunidades tradicionais e para as relações étnico-raciais, uma demanda importante no país nas últimas décadas. Investigamos, nesta pesquisa, as relações entre o céu e a terra no contexto de escolas rurais ribeirinhas da Amazônia brasileira. Por meio do constructo teórico da interculturalidade (saberes e fazeres ribeirinhos: ribeirinidade), buscou-se compreender a influência do meio cultural ribeirinho na elaboração e construção de saberes físicos e astronômicos e sua discussão e práticas nas aulas de ciências. A pesquisa, de abordagem qualitativa com inspiração etnográfica, foi realizada em três comunidades ribeirinhas no estado do Amazonas, por meio de observações, entrevistas, aplicação de questionários e de relatos de professores e moradores sobre conhecimentos e práticas astronômicas locais. Nessas comunidades prevalece uma relação de respeito entre sujeito e natureza, na qual ribeirinhos e ribeirinhas — em confluência com povos indígenas — integram aspectos ecológicos, meteorológicos, cosmológicos e astronômicos na construção de seus conhecimentos sobre o céu, elaborando uma forma singular de compreender as conexões entre o cosmos, a terra e as águas. Reconhecendo as potencialidades da Astronomia Cultural para a educação escolar e a importância de discutir a diversidade cultural em contextos historicamente excluídos desse debate, buscamos compreender como professores que atuam em escolas ribeirinhas amazônicas articulam (ou não) o ensino de Astronomia com o contexto cultural local. Os resultados revelam um sofisticado sistema de saberes astronômicos ribeirinhos, integrado ao cotidiano e aplicado em atividades como pesca, agricultura e navegação, além de uma rica cosmologia local que inclui, por exemplo, interpretações próprias da Via Láctea e constelações como a da Onça e a Luz da Onça. Por outro lado, evidenciou-se uma tensão persistente entre o currículo escolar eurocêntrico e as práticas docentes, gerando um descompasso entre os conhecimentos tradicionais e a educação formal. As escolas ribeirinhas, em muitos casos, negligenciam os saberes locais; ainda assim, para professores, estudantes e famílias, a escola é percebida como uma esperança concreta de valorização da cultura e dos conhecimentos tradicionais, bem como um espaço essencial para alimentar o sentimento de pertencimento, reafirmar identidades coletivas e construir alternativas de vida na floresta e fora dela. Apesar dos desafios, identificam-se importantes potencialidades para o desenvolvimento de práticas educativas interculturais que articulem os saberes locais ao ensino de Ciências, promovendo uma educação mais contextualizada, dialógica e culturalmente enraizada. Valorizaras tradições e cosmologias ribeirinhas por meio do ensino das Ciências Físicas é, portanto, um ponto de partida para questionar as barreiras da invisibilidade e enfrentar os efeitos persistentes da episteme moderna eurocêntrica sobre os povos tradicionais da Amazônia. Palavras-chave: Astronomia cultural. Comunidades ribeirinhas amazônicas. Interculturalidade. ABSTRACT Cultural Astronomy or Astronomy in Cultures, is one of the most fascinating branches of Astronomy, dedicated to investigating the diversity of ways in which different peoples perceive and construct their (inter)relations with the Earth and the sky. In Brazil, from an educational perspective, this field remains underexplored — both in the teaching and dissemination of the physical sciences and in education aimed at traditional communities and the promotion of ethnic-racial relations, an increasingly important demand in recent decades. This research investigated the relationships between the sky and the Earth within the context of riverine rural schools in the Brazilian Amazon. Grounded in the theoretical framework of interculturality — particularly the knowledge and practices that constitute ribeirinidade (riverine identity and way of life) — the study sought to understand how the riverine cultural environment influences the development and construction of physical and astronomical knowledge, as well as its discussion and practice in science classes. Using a qualitative approach with ethnographic inspiration, the research was conducted in three riverine communities in the state of Amazonas, through observations, interviews, questionnaires, and the collection of teachers’ and residents’ narratives about local astronomical knowledge and practices. In these communities, there prevails a relationship of mutual respect between humans and nature, in which riverine people — often in confluence with Indigenous groups — integrate ecological, meteorological, cosmological, and astronomical aspects in the construction of their knowledge about the sky. This integration results in a unique way of perceiving, describing, and understanding the connections between the cosmos,the Earth, and the waters. Recognizing the potential of Cultural Astronomy in school education and the importance of addressing cultural diversity in contexts historically excluded from such debates, this study sought to understand how teachers working in Amazonian riverine schools articulate (or fail to articulate) Astronomy teaching with the local cultural context. The results reveal a sophisticated system of local astronomical knowledge, deeply integrated into daily life and applied to activities such as fishing, agriculture, and navigation. They also demonstrate a rich local cosmology, which includes unique interpretations of the Milky Way and constellations such as the Jaguar and the Jaguar’s Light. On the other hand, the research identified a persistent tension between the Eurocentric school curriculum and the teachers’ practices, producing a disconnection between traditional knowledge and formal education. In many cases, riverine schools neglect local knowledge; nevertheless, for teachers, students, and families, the school represents a concrete hope for the appreciation of culture and traditional knowledge, as well as an essential space for nurturing a sense of belonging, reaffirming collective identities, and building alternative ways of life within and beyond the forest. Despite the challenges, the study identifies important possibilities for developing intercultural educational practices that connect local knowledge with the teaching of science, promoting a more contextualized, dialogical, and culturally grounded education. Valuing riverine traditions and cosmologies through the teaching of the physical sciences thus becomes a starting point for questioning the barriers of invisibility and confronting the enduring effects of the modern Eurocentric epistemic paradigm imposed on traditional Amazonian peoples. Keywords: Cultural Astronomy. Amazonian riverside communities. Interculturality. Será transmitido em: https://mconf.ufrgs.br/webconf/ppgenfis. |