Conferências e Mesas Redondas


Mesa Redonda I  (08/10/2025) - 09h

Ensinando Física em Momento de Crise: academia, escola e outros espaços
O ensino de física tem na sua base epistemológica a ideia que o conhecimento é um tipo de objeto cognoscível que pode ser interpretado por meio de leis e princípios que permitem lidar com a descrição, com a explicação e principalmente com a previsão. Esta crença na capacidade de usar o passado para a antecipação do futuro está na origem de uma série de expectativas não cumpridas pelo uso sistemático do conhecimento científico. Em especial, gostaríamos de trazer elementos de reflexão sobre as possibilidades que uma física pensada nesta base tem relação ao futuro. nossa avaliação é que vivemos uma policrise ambiental, social e de valores que se relaciona com a ilusão de um futuro único que seria o destino inevitável da civilização humana.
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Pontuando a relevância de um Ensino de Física para a formação da cidadania: de onde viemos? Para onde vamos? Quais as principais tensões e desafios a esse importante objetivo educacional? Assumindo que não há resposta única e definitiva, lança-se um olhar às políticas públicas, à pesquisa na área Ensino de Física, e de Ciências, e destaca-se a humanização das Ciências, a valorização do contexto de sala de aula, das relações sociais e da articulação academia-escola-sociedade.
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Quando tudo é potencialmente falso na internet, principalmente nas redes sociais, como o ensino de física pode contribuir para formar pessoas capazes de navegar em ambientes de desinformação com senso crítico e discernimento? De notícias sensacionalistas em busca de cliques, ao que não faz nenhum sentido, como podemos preparar nosso alunos para filtrar o conteúdo que consomem na internet.

Professor titular da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Licenciado em Física pela Universidade de São Paulo (1984), realizou o mestrado em Ensino de Ciências na mesma universidade (1988). Concluiu o doutorado em Epistemologia e História das Ciências na Universidade de Paris VII (1992) e a Livre-docência na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (2004). Tem participado da organização de diversos eventos, nacionais e internacionais, de pesquisa em ensino de ciências. Atualmente, pesquisa e desenvolve materiais didáticos sobre estratégias inovadoras no ensino de ciências e formação de professores, com foco especial na "educação científica na sociedade de risco". Desde 2019, é editor assistente da revista Science and Education.
Licenciada em Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul-UFRGS (2000); Mestre em Física (área de concentração: Ensino de Física) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2005); Doutora em Ciências pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2010) na área de concentração de Ensino de Física. Atualmente é Professora Associada na Universidade Federal do Rio Grande do Sul-UFRGS; é docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Física do Instituto de Física da UFRGS, atuando como professora e orientadora (dissertações e teses); foi Coordenadora do Núcleo Docente Estruturante da Licenciatura em Física (período 2017-2020). Atuou na gestão do Departamento como Coordenadora Substituta da Comissão de Graduação da Licenciatura em Física (2019-2021 e 2021-2023). Desenvolve pesquisas nas áreas de Epistemologia da Ciência (e suas implicações no Ensino de Física), Formação de Professores e coordena projetos de extensão visando a interação Universidade-Escola Básica.
Licenciado em Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 2005, atuo com o ensino de física nos três anos do ensino médio, na rede particular de Porto Alegre. Sou idealizador e fundador do projeto Torre, que se propõem a compartilhar o ensino de ciências (física e biologia) de forma gratuita, através de video-aulas publicadas no youtube e uma fanpage no facebook que também compartilha artigos, curiosidades e informações científicas. www.youtube.com/atorrebrasil www.facebook.com/atorrebrasil Desenvolvo um trabalho de acompanhamento de alunos 100% online, utilizando recursos exclusivamente da internet, como videos, plataformas de ensino (ted.ed, itunesu, etc), jogos, aplicativos e softwares, para ensiná-los a utilizar de forma eficiente as potencialidades educacionais da rede.


Mesa Redonda II  (08/10/2025) - 11h

Inteligência artificial: Desafios e Oportunidades para a Educação Científica 
A inteligência artificial (IA) vem se consolidando como uma força transformadora não apenas na sociedade, mas nas formas de ensinar e aprender Ciências. Modelos de linguagem generativos, simulações preditivas e algoritmos adaptativos já integram práticas educacionais emergentes, oferecendo desde corretores automáticos até assistentes personalizados de estudo. No entanto, o uso da IA no ensino de Física impõe desafios complexos. Questões éticas — como a superficialização do raciocínio científico, o plágio automatizado e a privacidade de dados — exigem reflexão crítica e regulamentação adequada. Soma-se a isso a urgência de uma formação docente que vá além do domínio técnico: é preciso desenvolver uma abordagem pedagógica que resista à lógica da automação irrefletida. Como formar estudantes que pensem criticamente em um ambiente saturado por respostas instantâneas? Nesta mesa redonda serão apresentadas reflexões sobre os impactos, riscos e potencialidades da IA para a Educação Científica, buscando caminhos para sua integração crítica no cotidiano escolar e sua efetiva apropriação por professores, estudantes e demais atores da comunidade escolar.

Graduado em Licenciatura e Bacharelado em Física (FURG - 2000), Mestrado em Física na área de concentração Ensino de Física (UFRGS - 2002) e Doutorado em Física também voltado ao Ensino de Física (UFRGS 2005). É membro permanente do Programa de Pós-graduação em Ensino de Física - UFRGS (PPGEnFis). Realizou estágio pós-doutoral na Universidade de Harvard (EUA, 2009-2010) participando do grupo de pesquisa em Ensino de Física do Prof. Eric Mazur. Atualmente é Professor Titular do Dept. de Física - UFRGS e Editor da revista Investigações em Ensino de Ciências (IENCI). Tem experiência na área de Ensino de Física com produções vinculadas aos seguintes temas: Inovação Didática, Física Geral, modelagem computacional aplicada ao ensino, tecnologias computacionais, métodos interativos de ensino, teorias de aprendizagem, epistemologia da Física e ensino de Ciências. 
Possui graduação em Bacharelado Em Física pela Universidade Federal de Pernambuco (1993) e doutorado em Física pela Universidade de São Paulo (1999). Atualmente é professor adjunto da Universidade Luterana do Brasil. Tem experiência na área de Educação, em especial no Ensino de Ciências e Matemática, com ênfase em Tecnologia de Informação (TI), atuando principalmente nos seguintes temas: Metodologia de Análise Gestual e Representações Mentais no aprendizado de conceitos científicos, Novos Referenciais Teóricos em Ensino de Ciências e aquisição de representações científicas por meio de TI em sala de aula.


Conferência I  (09/10/2025) - 11h

Comemoração dos 100 Anos de Mecânica Quântica  
Uma pesquisa rápida pelo termo "quântica" resultará em uma série de notícias recentes falando sobre a disputa aquecida entre diferentes países e empresas pelo desenvolvimento da computação quântica. Após 100 anos da fundação da mecânica quântica, a teoria mais bem sucedida ao descrever e explicar a estrutura da matéria e da radiação, estamos diante de uma possível nova revolução tecnológica (com todos os benefícios e riscos associados). Por outro lado, na esfera pública, persistem os discursos distorcidos e superficiais sobre essa teoria. Diante desse cenário, quais são as novas possibilidades e desafios para o Ensino de Física?

Fez graduação em bacharelado em física com linha de formação em física médica na PUCRS (2014), licenciatura em física na Faculdade Avantis (2017), mestrado em Engenharia e Tecnologia de Materiais na PUCRS (2016) e doutorado em Ensino de Física na UFRGS (2018). É professor do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Física da UFRGS. De janeiro a março de 2020, foi pesquisador visitante na Universidade de Copenhague - Dinamarca - participando de um projeto de pesquisa sobre história da Teoria Quântica e implicações para o ensino (com bolsa pelo programa CAPES-PRINT). Atualmente, é editor assistente da HPS&ST Newsletter. De 2022 a 2024, ocupou a função de coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Física da UFRGS. Tem interesse em História, Filosofia e Sociologia da Ciência e da Educação em Ciências.


Conferência II  (10/10/2025) - 11h

Enchentes no Rio grande do Sul: Prognósticos para as Bacias Hidrográficas do RS em um Cenário de Mudanças Climáticas  

O desastre de 2024 ocorrido no Rio Grande do Sul pode ser considerado um dos maiores da história no Brasil. Esta enchente sem precedentes ocorreu em um momento de grande variabilidade climática observada nos últimos anos e em que são previstas mudanças no clima para as próximas décadas. Assim, é necessária a adaptação da sociedade para reduzir os prejuízos socioeconômicos potenciais. Enquanto o Rio Grande do Sul ainda se recupera da catástrofe de 2024, diversas questões ainda estão em debate: Esse tipo de evento já ocorreu no passado e era esperado que ocorresse novamente? O que é esperado para o futuro? Que medidas podem ser tomadas para aumentar a resiliência às cheias extremas e para a adaptação à mudança climática? Nesta conferência serão apresentados estudos de caracterização das cheias no RS, projeções do impacto da mudança climática sobre os extremos hidrológicos no RS e Brasil, e discussões sobre medidas em busca da adaptação e resiliência climática. 

Professor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Desenvolve ensino e pesquisa em hidrologia, modelos hidrodinâmicos e observações de satélite no contexto de mudanças ambientais e gestão dos recursos hídricos. Coordenou recentemente os projetos "Tecnologias para Análises Hidrológicas em Escala Nacional" e "Caracterização e Modelagem das Cheias de 2024 no RS em Escala Regional", financiados pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico. Estudos recentes incluem a análise da sensibilidade e impactos de variabilidade e mudanças climáticas sobre vazões de cheias e secas e na segurança hídrica na escala da América do Sul, processos hidrodinâmicos de cheias naturais e de rompimentos de barragens, previsão e hidrologia da bacia Amazônica. Em 2024 atuou desenvolvendo análises hidrológicas em resposta aos eventos extremos recentes no sul do Brasil. www.ufrgs.br/hge


Conferência III  (10/10/2025) - 14h

Educação científica e grupos sub-representados
As discussões sobre a hegemônica presença de homens cisgênero, brancos, heterossexuais, sem deficiência nas ciências, particularmente na física, não são recentes e têm apresentado diferentes abordagens ao longo das décadas. Podemos pensar no debate desde a perspectiva de se falar sobre "mulheres nas ciências" e a pouca presença de "mulheres" na física; sobre a subrepresentatividade de pessoas não-brancas; sobre a participação de pessoas LGBTQIAPN+; ou ainda sobre a presença de pessoas com deficiência, por exemplo. Esses grupos têm sido historicamente subrepresentados no espaço científico. Nesta palestra, vamos discutir sobre as implicações dessa dominação cis-masculina branca na produção do conhecimento científico, em suas bases epistemológicas e, consequentemente, na educação científica.

Profa. Dra. Katemari Diogo da Rosa

Graduada em Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mestra em Ensino, Filosofia e História das Ciências pela Universidade Federal da Bahia, mestra em Science Education pelo Teachers College e doutora em Science Education pela Columbia University. Atualmente é professora adjunta da Universidade Federal da Bahia, onde atua como Coordenadora de Programas e Projetos na Pró-Reitoria de Extensão. Tem experiência em pesquisa em ensino de física e formação de professoras e professores de física. Seus interesses envolvem a pesquisa e a prática em ensino de física, formação de educadoras e educadores, física nas séries iniciais e discussões que envolvem as interseccionalidades de gênero, sexualidades, raça, etnia e status socioeconômico na construção e no ensino das ciências.

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