Mesa Redonda I (08/10/2025) - 09h
Ensinando Física em Momento de Crise: academia, escola e outros espaços
O ensino de física tem na sua base epistemológica a ideia que o conhecimento é um tipo de objeto cognoscível que pode ser interpretado por meio de leis e princípios que permitem lidar com a descrição, com a explicação e principalmente com a previsão. Esta crença na capacidade de usar o passado para a antecipação do futuro está na origem de uma série de expectativas não cumpridas pelo uso sistemático do conhecimento científico. Em especial, gostaríamos de trazer elementos de reflexão sobre as possibilidades que uma física pensada nesta base tem relação ao futuro. nossa avaliação é que vivemos uma policrise ambiental, social e de valores que se relaciona com a ilusão de um futuro único que seria o destino inevitável da civilização humana.
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Pontuando a relevância de um Ensino de Física para a formação da cidadania: de onde viemos? Para onde vamos? Quais as principais tensões e desafios a esse importante objetivo educacional? Assumindo que não há resposta única e definitiva, lança-se um olhar às políticas públicas, à pesquisa na área Ensino de Física, e de Ciências, e destaca-se a humanização das Ciências, a valorização do contexto de sala de aula, das relações sociais e da articulação academia-escola-sociedade.
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Quando tudo é potencialmente falso na internet, principalmente nas redes sociais, como o ensino de física pode contribuir para formar pessoas capazes de navegar em ambientes de desinformação com senso crítico e discernimento? De notícias sensacionalistas em busca de cliques, ao que não faz nenhum sentido, como podemos preparar nosso alunos para filtrar o conteúdo que consomem na internet.
Mesa Redonda II (08/10/2025) - 11h
Inteligência artificial: Desafios e Oportunidades para a Educação Científica
A inteligência artificial (IA) vem se consolidando como uma força transformadora não apenas na sociedade, mas nas formas de ensinar e aprender Ciências. Modelos de linguagem generativos, simulações preditivas e algoritmos adaptativos já integram práticas educacionais emergentes, oferecendo desde corretores automáticos até assistentes personalizados de estudo. No entanto, o uso da IA no ensino de Física impõe desafios complexos. Questões éticas — como a superficialização do raciocínio científico, o plágio automatizado e a privacidade de dados — exigem reflexão crítica e regulamentação adequada. Soma-se a isso a urgência de uma formação docente que vá além do domínio técnico: é preciso desenvolver uma abordagem pedagógica que resista à lógica da automação irrefletida. Como formar estudantes que pensem criticamente em um ambiente saturado por respostas instantâneas? Nesta mesa redonda serão apresentadas reflexões sobre os impactos, riscos e potencialidades da IA para a Educação Científica, buscando caminhos para sua integração crítica no cotidiano escolar e sua efetiva apropriação por professores, estudantes e demais atores da comunidade escolar.
Conferência I (09/10/2025) - 11h
Comemoração dos 100 Anos de Mecânica Quântica
Uma pesquisa rápida pelo termo "quântica" resultará em uma série de notícias recentes falando sobre a disputa aquecida entre diferentes países e empresas pelo desenvolvimento da computação quântica. Após 100 anos da fundação da mecânica quântica, a teoria mais bem sucedida ao descrever e explicar a estrutura da matéria e da radiação, estamos diante de uma possível nova revolução tecnológica (com todos os benefícios e riscos associados). Por outro lado, na esfera pública, persistem os discursos distorcidos e superficiais sobre essa teoria. Diante desse cenário, quais são as novas possibilidades e desafios para o Ensino de Física?
Conferência II (10/10/2025) - 11h
Enchentes no Rio grande do Sul: Prognósticos para as Bacias Hidrográficas do RS em um Cenário de Mudanças Climáticas
O desastre de 2024 ocorrido no Rio Grande do Sul pode ser considerado um dos maiores da história no Brasil. Esta enchente sem precedentes ocorreu em um momento de grande variabilidade climática observada nos últimos anos e em que são previstas mudanças no clima para as próximas décadas. Assim, é necessária a adaptação da sociedade para reduzir os prejuízos socioeconômicos potenciais. Enquanto o Rio Grande do Sul ainda se recupera da catástrofe de 2024, diversas questões ainda estão em debate: Esse tipo de evento já ocorreu no passado e era esperado que ocorresse novamente? O que é esperado para o futuro? Que medidas podem ser tomadas para aumentar a resiliência às cheias extremas e para a adaptação à mudança climática? Nesta conferência serão apresentados estudos de caracterização das cheias no RS, projeções do impacto da mudança climática sobre os extremos hidrológicos no RS e Brasil, e discussões sobre medidas em busca da adaptação e resiliência climática.
Conferência III (10/10/2025) - 14h
Educação científica e grupos sub-representados
As discussões sobre a hegemônica presença de homens cisgênero, brancos, heterossexuais, sem deficiência nas ciências, particularmente na física, não são recentes e têm apresentado diferentes abordagens ao longo das décadas. Podemos pensar no debate desde a perspectiva de se falar sobre "mulheres nas ciências" e a pouca presença de "mulheres" na física; sobre a subrepresentatividade de pessoas não-brancas; sobre a participação de pessoas LGBTQIAPN+; ou ainda sobre a presença de pessoas com deficiência, por exemplo. Esses grupos têm sido historicamente subrepresentados no espaço científico. Nesta palestra, vamos discutir sobre as implicações dessa dominação cis-masculina branca na produção do conhecimento científico, em suas bases epistemológicas e, consequentemente, na educação científica.
Profa. Dra. Katemari Diogo da Rosa
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